Há alguns meses, comecei a trabalhar em uma empresa de forma remota.
Um espanto e tanto para uma pessoa que só trabalhou presencialmente até então. Não haveria o contato físico, olho nu a olho nu, hora do café ou almoço com alguém, competição para agendar sala de reunião, caminhar até o outro departamento, tirar dúvida na mesa de outra pessoa… não teria mais isso.

O carro ficaria parado na garagem, o gato estranharia a presença eterna da dona, saberia qual vizinho está reformando o apartamento.
Tudo bem diferente.
Fiquei com medo e receio de não me adaptar. Foi bem estranho nas primeiras semanas… talvez nos primeiros meses. As reuniões virtuais, porém bem mais objetivas. Não se perdia tempo reservando sala livre, e nem com distrações entre os participantes. Os almoços precisamente mais saudáveis e com melhor qualidade do que uma marmita esquentada e sem prato. Sem ar-condicionado no máximo apontado para perto de você ou na sua direção. Sem possíveis colegas sem noção ao redor. Horas de trabalho ao som de um jazz calmo em sua Alexa.
Claro, muita coisa acontecendo e muita movimentação nos emails, nas conversas do chat ou via vídeo, nas análises etc, mas compreendendo que o que está ao redor te auxilia no equilíbrio de tudo.
Como não me acostumar? Meses depois, já estava bem. Não era mais estranho o trabalho remoto.
Recentemente, a mídia tem trazido muitas notícias referentes ao retorno 100% no modelo presencial para as empresas que antes estavam com trabalho remoto ou híbrido. Até tenho um certo receio da empresa ter que repensar algo assim. Eu não teria problemas com isso, mas, ao mesmo tempo, talvez eu tenha que voltar a me readaptar se isso ocorrer.